4 de mar. de 2009

Erros mais comuns na criação de serpentes

À pedidos, vou tentar colocar aqui os principais erros cometidos no hobby.

Primeiramente, lembro a todos que os erros são muito comuns, não só por principiantes, mas por todos que tem contato com serpentes. Quando compramos um cachorro, já sabemos o que ele come, o que ele faz, a raça dele, o que ele gosta, o que não gosta, etc. Porém, devido a falta de informação em relação à serpentes, não é assim que funciona com as mesmas, então sempre existe a possibilidade de cometermos um erro. O que faz um bom criador não é não errar, e sim aprender o maximo possivel com os erros.

Abaixo listarei os mais comuns:

1- Com certeza o erro mais comun entre pessoas que iniciam na criação de serpentes é a impaciência. Muitas pessoas compram a serpente antes mesmo de saber o básico sobre ela. Não sabem o que come, onde ela vai ficar, etc. Então sem duvida o primeiro passo para começar com o menor numero de erros possivel, é estudar bastante antes de adquirir seu animal. Acredite, não vai ser nada bom ficar com a serpente em uma caixa de papelão até o terrario ficar pronto, ou ter que catar passaros do vizinho pra dar pra cobra sem nem saber o que ela come.

2- Posse irresponsável. Se você quer um animal, tem que estar preparado, e ter responsabilidade para o mesmo. Tem alguns pontos que devem ser analizados antes de comprar uma serpente. Uma Jibóia por exemplo, pode viver mais de 30 anos. Você está disposto a ficar com ela 30 anos? ou apenas até você enjoar dela, e a vender? Lembre-se também que as "babys" crescem, você tem condições de ter um animal adulto (com tamanho variando de espécies) na sua casa? Não dê ao animal uma prisão, e sim um lar. Não tenha o animal só por ter, dê seu maximo para seu bem estar, sua serpente agradeçera por isso.

3- Os improvisos (as famosas gambiarras). Fazer um terrario de tela de alumínio, com terra como substrato, com aquecedor cheio de fios dentro do terrário, tem se tornado bem comum. Tente fazer o menor numero de improvisos possíveis. Um terrário de madeira, vidro ou plástico, são MUITO mais seguros do que um terrário feito de tela com quatro estacas as segurando. Usar um bom substrato não é difícil, qualquer pessoa consegue jornal velho de graça. Um aquecedor bom, e com termostato, não custa caro, e nós vamos ver em uma próxima matéria que a queimadura feita por pedras caseiras de aquecimento estão entre as principais complicações mais comuns entre serpentes em cativeiro.

Esses são os mais basicos, agora vou falar alguns que acontecem mesmo com quem está a mais tempo no hobby.

3- Nunca duvide de uma serpente quando o assunto é fuga. Acho difícil alguém que ja teve algumas serpentes e nunca passou por essa experiência. Elas fogem em qualquer lugar, algumas vezes sem explicação. Parece brincadeira, mas é verdade. Elas são mestras nisso.

4- Super alimentação. Isso é bem comum. Muitos criadores vêem suas serpentes crescendo e querem dar uma acelerada. E com isso acabam alimentando à mais do que o necessário. Se você der 6 camundongos adultos à uma Jibóia de 1,3m por exemplo, ela pode comer todos, e 10 dias depois comer mais 6. Porém, isso nao significa que está sendo saldavel para ela. Dê uma quantidade balanceada, sem deixar a desejar, nem super alimenta-la.

5- Automedicação- Isso é além de um dos erros mais frequentes, é um dos piores. NUNCA automedique sua serpente, ou qualquer outro animal. Nem a deixe na mão de um amigo só porque ele tem mais de 10/20/30 anos na criação de serpentes. Muitos criadores antigos acabam aprendendo bastante sobre isso, porém, não é nada garantido. Ao primeiro sinal de um problema, leve-a à um veterinario expecializado. Não coloque em risco a vida de sua serpente, seja consciente.

Bem, os mais comuns são esses, qualquer coisa que esqueci de falar, coloquem nos comentários por favor que colocarei aqui.


3 de mar. de 2009

Dê sua sujestão de matéria à ser escrita

Fiz esse post com a intenção de vocês falarem o que acham que está faltando aqui, seja uma matéria que você queria saber mais, ou algo para melhoria do site.

Clique em "-comentar-" e comente o que você acha que devia ter.
Conto com vocês para que o blog fique cada vez melhor.


12 de dez. de 2008

Cobra real ou cobra rei.

Esse é um gênero próximo das najas-indianas, sendo conhecida também como cobra-rainha. É considerada a maior serpente peçonhenta do mundo. Seu tamanho pode chegar a 5,5 metros. Embora, normalmente ande arrastando-se como as demais serpentes, ela também pode erguer 1/3 do seu corpo e andar com a cabeça a 1,8 metros de altura; tornando-se ainda mais assustadora. Tem um comportamento agressivo, no qual expande o capelo (capuz) injetando em suas vítimas, uma quantidade enorme de peçonha. Em cada picada injeta 3 ml de peçonha, o suficiente para matar um elefante ou 14 pessoas adultas. Há quem diga que uma única picada pode conter 15 ml de peçonha. O coquetel de substâncias peçonhentas que é injetado dificilmente consegue soro suficiente para neutralizá-lo. Embora sua peçonha não seja a mais tóxica do mundo, ainda assim, torna-se uma das mais mortíferas pela grande quantidade com que é injetada.
Pode ser encontrada na Ásia, China, Malásia, Indonésia e Filipinas. É considerada a mais inteligente entre as serpentes e vive até 20 anos.

Caça durante o dia ou durante a noite. É uma excelente escaladora de árvores. Seu hábitat é dos mais diversificados, podendo viver em ambientes com até 1.900 metros de altitude.

Hábito alimentar. Seu gênero Ophiophagus é uma derivação de ofiófaga, que quer dizer: comedora de cobra. Embora tenha um cardápio diversificado, especializou-se em comer najas. Seu corpo possui substâncias imunes à peçonha da naja. A peçonha da cobra-rei tem ação neurotóxica e contém substâncias que neutralizam a peçonha das outras serpentes.

Reprodução.
A cobra-real (Ophiophagus hannah) possui algumas curiosidades reprodutivas desconhecidas em outras serpentes: é a única serpente do mundo que constrói um ninho para chocar os ovos. Depois de enrolar o corpo, puxa para junto de si, folhas e galhos de plantas para a construção do mesmo. Depois de colocar seus ovos no centro do ninho, ela os choca, tendo em geral, o macho por perto para lhe dar proteção. O período de incubação é de aproximadamente 60 dias. Os filhotes nascem com 35 cm de comprimento e depois de fazer a primeira muda (10 dias depois), estão prontos para caçar, mesmo porque a peçonha, logo após o nascimento é tão potente quando a dos adultos. Também digno de nota é que, a fêmea pode devorar o macho e vice-versa, quando ambos se encontram para o acasalamento.



FOTO: Cobra rei.

Texto de: Antonio Alvez de Siqueira



2 de out. de 2008

Coral

A coral-verdadeira, que pertence ao gênero Micrurus, não é apenas uma das mais belas serpentes, mas acima de tudo, uma das mais peçonhentas do mundo. No Brasil sua peçonha é considerada a mais tóxica. No Brasil foram identificadas até agora, 29 espécies de coral consideradas peçonhentas. As corais-verdadeiras respondem por 0,5% dos acidentes ofídicos em nosso país. Esse índice baixo tem algumas explicações: é uma serpente de hábito noturno e sai somente à noite para caçar, tem boca pequena com presas inoculadoras de peçonha muito pequenas; e um comportamento pacífico, atacando somente quando é importunada. De coloração vermelha, amarelo e preto; onde o amarelo é a cor predominante e o preto vindo junto do amarelo. Enquanto as falsas-corais têm coloração vermelho e preto como cores predominantes, com a coloração preta vindo junto do vermelho. Há um versinho nos EUA utilizado para ajudar na identificação da coral-verdadeira que diz: "black on yellow, kill a fellow; red on black, friend a jack" que traduzido significa: "amarelo junto ao preto mata o sujeito; mas vermelho junto do preto, amigo do peito." Esse é um verso que não deve ser levado à sério, pois há corais como a Micrurus frontalis e Micrurus lemniscatus que têm anéis pretos ligados a anéis vermelhos e são peçonhentas; fugindo, portanto, a regra. A coral-verdadeira é parente das najas asiáticas e africanas, portanto, pertencente à família Elapidae.

A peçonha tem ação neurotóxica e causa paralisia dos músculos intercostais. Os músculos ficam impossibilitados de se contrair durante a respiração e a vítima acaba morrendo por asfixia (parada respiratória).

Entre os principais sintomas causados por sua picada, destacam-se: salivação abundante, lacrimejamento, dificuldade da articulação das palavras, cansaço, dores musculares, tremores, perturbações visuais e morte.

É uma espécie ovípara (põe ovos), produzindo aproximadamente 6 filhotes em cada postura. O tamanho máximo atingido por uma coral fica em torno de 1,20 metros. Tem o hábito se esconder entre folhas, troncos ou debaixo de pedras. É uma serpente de hábitos noturnos. Quando ameaçada, levanta e enrola a cauda, desviando a atenção para as partes distantes da cabeça. Seus dentes pequenos não podem inocular peçonha em qualquer parte do corpo. Esse tipo de comportamento lhe rendeu a fama de picar com a cauda, o que não passa de lenda. Por se tratar de uma peçonha de ação rápida, o tratamento com o soro elapídico deve ser conduzido em regime de urgência.

Texto de: Antonio Alvez de Siqueira



29 de set. de 2008

Cascavel

A cascavel, boiquira ou maracambóia (Crotalus durissus) é uma serpente muito comum em certas regiões brasileiras e uma das espécies de serpentes mais temidas do mundo. Há no Brasil seis subespécies que são: C. durissus terrificus, C. durissus cascavella, C. durrissus collilineatus, C. durissus ruruima, C. durissus marajoensis e C. durissus trigonicus. A Cascvel durissius terrificus é de coloração esverdeada com pontos ou manchas brancas. A sua distribuição geográfica se estende desde o México até a Argentina, passando pela Bolívia e Paraguai. É uma serpente de fácil identificação, em função do guizo ou chocalho que apresenta na ponta da cauda. É tida como uma das mais mortais entre os ofídios. No Brasil, ela ocupa o segundo lugar entre as mais letais. Não é uma espécie muito agressiva, atacando mais para se defender ou apenas como predadora. Embora ela seja abundante em toda a América do Sul especialmente no Brasil, só representa cerca de 8% dos acidentes ofídicos ocorridos em humanos. Isso se explica não apenas, pelo fato de atacar somente quando se sente ameaçada; mas acima de tudo, porque agita o guizo antes de picar, dando chance a vítima de se defender. Quando está ameaçada, enrola-se quase por completo, deixando a parte anterior do corpo erguida em forma de “S”, com o guizo em movimento, produzindo um barulho audível a metros de distância. O alerta é suficiente para afastar as pessoas e evitar um acidente. Seu bote é seguro, embora não seja dos mais rápidos (2,5 m/segundo), raramente é desperdiçado.

A cascavel possui um arsenal de pelo menos 13 substâncias peçonhentas, que atuam como enzimas digestivas decompondo as proteínas dos tecidos das vítimas ou têm ação tóxica sobre os sistemas nervoso, circulatório e renal. Essas enzimas também atuam como venenos, cansando necrose dos tecidos, levando a vítima à morte. A sua peçonha é uma mistura de proteínas e peptídeos biologicamente ativos, aminas biogênicas e outras substâncias que atuam alterando diversos processos fisiológicos (Markland, 1998). Ela tem ação neurotóxica, miotóxica, nefrotóxica, coagulante, anticoagulante, além de ação hemolítica in vitro. A ação miotóxica causa lesões nas fibras musculares, produzindo inchaço e a sua ruptura. A ação neurotóxica deixa as vítimas com paralisia facial e das pálpebras, fazendo com que muitos acreditem que o a peçonha causa cegueira. O efeito nefrotóxico deixa as pessoas com “cara de bebum”. Uma enzima chamada fosfolipase A2, tem efeito devastador sobre os tecidos, causando-lhes não apenas inflamação, mas também é responsável pelos efeitos citotóxico, miotóxico e neurotóxico. A crotoxina juntamente com a crotamina, convulxina, giroxina, respondem pelos efeitos neurotóxicos causados no organismo, desencadeando sintomas de incoordenação motora, convulsões, salivação e a paralisia de suas vítimas. A crotamina responde pela necrose causada nos tecidos. A crotoxina, principal componente ativo da peçonha, provoca paralisia muscular, respiratória e rompimento das membranas celulares. Ela inibe a liberação de acetil-colina, um neurotransmissor responsável pela transmissão dos estímulos nervosos. Com suspensão da produção de acil-colina, os músculos perdem a capacidade de contração e a vítima fica impossibilitada de reagir fugindo do alcance da serpente. Isso é importantíssimo quando se trata de uma presa; pois, facilita a localização da mesma sem desperdício de energia. Sem acetil-colina, não há transmissão de impulsos nervosos, e a vítima, especialmente a presa, acaba ficando paralisada no próprio local da picada.

Entre os principais sintomas da picada de uma cascavel podem ser citados: fraqueza progressiva, paralisia das pálpebras, alterações visuais podendo culminar com a cegueira, vômitos, diarréia, hematúria, sonolência e morte causada por paralisia respiratória. A falha relha renal também é apontada como uma das principais causas de morte dos pacientes.

A peçonha de uma serpente é constituída basicamente de proteínas Se ela ficar muito tempo sem se alimentar, a produção de peçonha fica prejudicada. O contrário se dá quando ela se alimenta bem.

Os anéis do guizo representam vestígios cornificados, que permanecem após a muda de pele. Mas afinal, onde começa a cauda? Convencionou-se chamar de cauda, à parte da serpente que começa imediatamente após o orifício anal.

A cascavel também possui seus predadores naturais. Entre as serpentes, podemos citar: a muçurana (Pseudoboa cloelia) e a coral-verdadeira, gênero Micrurus.

Hábito alimentar.
Suas presas principais são ratos, pequenos lagartos, pequenos roedores e pássaros. Embora seja de hábitos noturnos, também pode ser vista caçando durante o dia ou se aquecendo durante as primeiras horas da manhã.

Reprodução.
As cascavéis podem hibernar. Nos Estados Unidos da América, elas hibernam durante 5 meses, saindo da hibernação direto para o acasalamento. Mesmo depois de ficarem 5 meses sem comer nem beber, o instinto de reprodução fala mais alto e elas primeiro acasalam, depois saem em busca de alimento. O acasalamento dessa espécie segue o mesmo padrão de comportamento da maioria das espécies de serpentes. Entre os machos, a disputa pela fêmea, gera a dança do acasalamento. É uma luta que tem o objetivo de colocar o perdedor por baixo, dessa forma, a dança pode durar alguns dias. A cópula pode durar um dia inteiro, com algumas interrupções. É uma espécie ovovivípara, ou seja, seus ovos se rompem no oviduto dando origem ao nascimento dos filhotes. O número de filhotes que nasce varia de 8 a 20, com tamanho aproximado de 30 centímetros.

A cascavel é um animal territorial e procura voltar sempre ao mesmo local onde nasceu. As cascáveis vivem até 40 anos.

Texto de: Antonio Alvez de Siqueira