12 de mar de 2009

Principais doenças e complicações

Atendendo pedidos, vou escrever sobre as principais doenças e complicações que ocorrem nas serpentes em cativeiro.
Na verdade, o conteúdo mesmo quem me mandou foi o Médico veterinário de exóticos e silvestres César (recomendo), e eu apenas organizando e simplificando um pouco pra não ficar muito tecnico.

Vamos começar pela estomatite, que é a mais comum.

*Estomatite:
A estomatite é causada geralmente por Aeromonas hydrophila, Pseudomonas spp e Klebsiella. Uma má nutrição (especialmente deficiências de vitamina C) predispõe a essa infecção, assim como traumatismo decorrente de contenção, alimentação forçada ou colisão com paredes do recinto. Os sintomas incluem hiperemia(aumento da quantidade de sangue circulante num determinado local, ocasionado pelo aumento do número de vasos sanguíneos funcionais) e ulceração da mucosa oral com acúmulo de exsudato caseoso característico, as lesões incluem a gengiva e invadem os alvéolos dentários(cavidade do osso da maxila e mandíbula onde se alojam os dentes) e o osso circundante das arcadas dentárias superior e inferior. Geralmente a estomatite é uma complicaçao secundaria de pneumonias ou septicemias.

*Pneumonia:
Causada principalmente por Klebsiella pneumoniae, Aeromonas hydrophila, Pseudomonas, Proteus e Peptostreptococcus.
Os sintomas incluem apatia, anorexia, falta de ar, estertores respiratórios(um tipo de som feito na respiração), respiração pela boca, corrimento nasal, contrações intercostais, perda de equilíbrio na natação, emaciação crônica. O diagnóstico pode ser feito com Swabs ou lavado laríngeos para isolamento da bactéria.

*Anorexia:
Primeiramente, devemos entender que anorexia não é uma doença, e sim um reflexo comportamental de uma situação que pode ter as causas mais diversas. Mesmo este comportamento precisa ser devidamente classificado entre fisiológico ou patológico. Isto porque existem situações onde o animal não irá comer, como em períodos de hibernação, como pode acontecer em algumas espécies ou em fêmeas em avançado estado de gestação. Não sendo uma situação fisiológica natural, devemos investigar o amplo universo de possibilidades que cerca aquele animal. Na maioria dos casos existe uma causa ambiental que leva a uma situação de estresse e esta síndrome leva também à anorexia. Portanto precisamos estar atentos se a temperatura do recinto está de acordo, se existe um refúgio para o animal, se não existe competição em demasia e se o alimento está sendo servido de acordo com os hábitos daquela espécie, como por exemplo, respeitando se a espécie tem habito noturno ou diurno, dentre outras coisas.

*Ácaros:
O ácaro encontrado nos répteis é o Ophionyssus natricis, que pode parasitar todos os répteis. A pele dos animais fica áspera e com disecdese (troca de pele anormal), podendo ocorrer vitalidade reduzida e em manifestações intensas morte por anemia. Podem se infectar com Aeromonas hydrophila, causador de septicemia hemorrágica, veiculado pelo ácaro.
São encontrados com frequência nos espaços entre as escamas, nas pregas cervicais e faciais e nos sulcos formados entre o óculo e as escamas perioculares.

*Carrapatos:
Carrapatos dos gêneros Amblyoma rotundatum, Ixobioides, Ophyogongylus, Chironobius, Ornithodoros, Aponomma, Hyalomma são os mais comumente encontrados em répteis, onde, todas as espécies são susceptíveis, preferencialmente animais terrestres.
Os sinais são a simples presença dos parasitas no rebordo da cavidade ocular e região periocular, ao longo do corpo e no ventre. Podem levar a dermatites focais a severas patologias sistêmicas por inoculação de toxinas levando a óbito.

*Pneumonia fúngica:
Há vários agentes isolados, Aspergillus, Beauvaria, Geotrichum, Mucor, Cladosporium e Paecilomyces como causa da infecção, e a maioria dos casos é granulomatosa, com desenvolvimento de nódulos característicos e lesões em placa no epitélio (tecido epitelial), além de certo grau de consolidação e necrose pulmonares. As serpentes são mais resistentes a esse tipo de doença.

*Paramixovirose:
Doença que possui como agente o Paramixovírus que acomete serpentes principalmente Jararacas, Jibóias e Cascavéis.
A doença se apresenta de várias formas, de curso agudo e superagudo, onde, sinais respiratórios (antes de morrer a serpente pode expelir conteúdo caseoso e purulento pela glote) e/ou neurológicos (perda de tônus muscular, tremores de cabeça e perda do equilíbrio) por curto período antes de virem a óbito. Curso crônico, emagrecimento e pneumonia por infecção bacteriana secundária e o animal também pode se comportar como portador sadio, onde, disseminam a doença sem apresentar sintomas. Pode levar a quadros de hepatite e pancreatite
O diagnóstico pode ser feito através de PCR ou inibição da hemoaglutinação.
Não existe nenhum tratamento, sacrifício dos animais doentes. A mortalidade varia de 8 a 87%, e cobras mais idosas são mais susceptíveis.

*Doença do corpúsculo de inclusão viral (IBD):
Trata-se de uma doença causada por Retrovírus, que acomete todas as serpentes da família Boidae.
Os sinais incluem regurgitação, estomatites, pneumonias, sarcomas cutâneos(tumor na pele) indiferenciados, desordens linfoproliferativas e leucemias. O sintoma mais indicativo é a encefalite (opistótonos, diminuição da capacidade proprioceptora, perda do reflexo postural) levando à morte.
Diagnostica-se a doença por Sorologia, Imunofluorescência, Inclusão intracitoplasmática em células epidermais. Não existe nenhum tratamento, sacrifício dos animais doentes.

Bem, sei que ficou bastante técnico de mais, então, qualquer duvida pode ser feita, que sua duvida será respondida.

PS: Vou deixar aqui algumas informações sobre o César para caso queiram falar com ele.

Perfil - Orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?origin=is&uid=17816243523923005485

MSN: John_whites@hotmail.com

Ele já me ajudou muito pela internet, e ele também atende em qualquer lugar do Brasil.


4 de mar de 2009

Erros mais comuns na criação de serpentes

À pedidos, vou tentar colocar aqui os principais erros cometidos no hobby.

Primeiramente, lembro a todos que os erros são muito comuns, não só por principiantes, mas por todos que tem contato com serpentes. Quando compramos um cachorro, já sabemos o que ele come, o que ele faz, a raça dele, o que ele gosta, o que não gosta, etc. Porém, devido a falta de informação em relação à serpentes, não é assim que funciona com as mesmas, então sempre existe a possibilidade de cometermos um erro. O que faz um bom criador não é não errar, e sim aprender o maximo possivel com os erros.

Abaixo listarei os mais comuns:

1- Com certeza o erro mais comun entre pessoas que iniciam na criação de serpentes é a impaciência. Muitas pessoas compram a serpente antes mesmo de saber o básico sobre ela. Não sabem o que come, onde ela vai ficar, etc. Então sem duvida o primeiro passo para começar com o menor numero de erros possivel, é estudar bastante antes de adquirir seu animal. Acredite, não vai ser nada bom ficar com a serpente em uma caixa de papelão até o terrario ficar pronto, ou ter que catar passaros do vizinho pra dar pra cobra sem nem saber o que ela come.

2- Posse irresponsável. Se você quer um animal, tem que estar preparado, e ter responsabilidade para o mesmo. Tem alguns pontos que devem ser analizados antes de comprar uma serpente. Uma Jibóia por exemplo, pode viver mais de 30 anos. Você está disposto a ficar com ela 30 anos? ou apenas até você enjoar dela, e a vender? Lembre-se também que as "babys" crescem, você tem condições de ter um animal adulto (com tamanho variando de espécies) na sua casa? Não dê ao animal uma prisão, e sim um lar. Não tenha o animal só por ter, dê seu maximo para seu bem estar, sua serpente agradeçera por isso.

3- Os improvisos (as famosas gambiarras). Fazer um terrario de tela de alumínio, com terra como substrato, com aquecedor cheio de fios dentro do terrário, tem se tornado bem comum. Tente fazer o menor numero de improvisos possíveis. Um terrário de madeira, vidro ou plástico, são MUITO mais seguros do que um terrário feito de tela com quatro estacas as segurando. Usar um bom substrato não é difícil, qualquer pessoa consegue jornal velho de graça. Um aquecedor bom, e com termostato, não custa caro, e nós vamos ver em uma próxima matéria que a queimadura feita por pedras caseiras de aquecimento estão entre as principais complicações mais comuns entre serpentes em cativeiro.

Esses são os mais basicos, agora vou falar alguns que acontecem mesmo com quem está a mais tempo no hobby.

3- Nunca duvide de uma serpente quando o assunto é fuga. Acho difícil alguém que ja teve algumas serpentes e nunca passou por essa experiência. Elas fogem em qualquer lugar, algumas vezes sem explicação. Parece brincadeira, mas é verdade. Elas são mestras nisso.

4- Super alimentação. Isso é bem comum. Muitos criadores vêem suas serpentes crescendo e querem dar uma acelerada. E com isso acabam alimentando à mais do que o necessário. Se você der 6 camundongos adultos à uma Jibóia de 1,3m por exemplo, ela pode comer todos, e 10 dias depois comer mais 6. Porém, isso nao significa que está sendo saldavel para ela. Dê uma quantidade balanceada, sem deixar a desejar, nem super alimenta-la.

5- Automedicação- Isso é além de um dos erros mais frequentes, é um dos piores. NUNCA automedique sua serpente, ou qualquer outro animal. Nem a deixe na mão de um amigo só porque ele tem mais de 10/20/30 anos na criação de serpentes. Muitos criadores antigos acabam aprendendo bastante sobre isso, porém, não é nada garantido. Ao primeiro sinal de um problema, leve-a à um veterinario expecializado. Não coloque em risco a vida de sua serpente, seja consciente.

Bem, os mais comuns são esses, qualquer coisa que esqueci de falar, coloquem nos comentários por favor que colocarei aqui.


3 de mar de 2009

Dê sua sujestão de matéria à ser escrita

Fiz esse post com a intenção de vocês falarem o que acham que está faltando aqui, seja uma matéria que você queria saber mais, ou algo para melhoria do site.

Clique em "-comentar-" e comente o que você acha que devia ter.
Conto com vocês para que o blog fique cada vez melhor.