7 de abr de 2008

Corallus caninus

Bem, estive pensando no que postar, e procurei algumas curiosidades, para que alguma coisa pelo menos você aprenda a mais sobre elas.



A Corallus caninus é uma das serpentes mais bonitas, sendo ela o sonho de qualquer criador.
Mas não se deixem enganar pela sua bela forma e cor, pois ela tem presas que mesmo não matando, podem fazer um bom estrago. Mesmo sendo uma serpente de dentição áglifa, ela possui grandes presas fazendo valer o nome (caninus). Ela é uma serpente de habito arborícola, e por isso fica a maior parte de sua vida em cima de árvores. Uma curiosidade sobre ela é que por elas não descerem muito dos galhos ela desenvolveu uma fenda em cima de sua cabeça para que durante a chuva, a água acumule ali e ela possa beber aos poucos. E pelo fato de elas ficarem por muito tempo nos mesmos galhos, o terrário não precisa ser muito grande, porém deverá ser bem alto.

Na natureza, sua alimentação consiste basicamente em aves, porém em cativeiro a alimentação se baseia basicamente em camundongos.
O manuseio não deve ser feito constantemente, pois ela não aceita muito o manuseio ( há exceções).
Uma coisa também que pode ser reparado é que seu rabo é maior que o dos outros boídeos, talvez para ela conseguir se segurar melhor nos galhos.
Sua reprodução em cativeiro é bem complicada. Alguns criadores disseram que conseguiram reproduzi-las em cativeiro, porém não foi 100% em cativeiro, ou seja, não houve a cópula, gestação e depois nascimento. Os filhotes foram frutos de animais pegos na natureza prontos para criar.

E falando de reprodução, outra curiosidade sobre elas é que serpentes verdes que são dificilmente notadas nas árvores devido a sua camuflagem, dão origem à filhotes laranjas ou vermelhos (vide foto abaixo). Isso ocorre por que na natureza muitas vezes cores fortes são sinais de veneno, então para não virarem presas fáceis, os filhotes tem essa coloração, que é substituída pelo verde ao longo de sua vida.





Existem duas variedades de Corallus caninus: A conhecida como "Surinam" ou "guyana Shield" e a "Amazon Basin".
Como o nome já diz, uma é encontrada no norte da América do Sul, e a outra variedade é encontrada no sul do Suriname, Colômbia, Leste do Equador, Peru, Guianas e Venezuela, Norte do Brasil e Bolívia.
As duas variações possuem diferenças bem marcantes, basicamente na coloração delas.

Outra característica presente nessa espécie é que elas apresentam vários buracos nos lábios superiores e inferiores da boca, que são chamadas de fossetas labiais, que são usados para captar radiações de calor produzidas pelos organismos de animais de sangue quente. Essas fossetas labiais possuem a mesma função das fossetas loreais presentes em serpentes da família viperidae.

A Corallus caninus assim como muitas serpentes é conhecida por vários nomes, são eles:
"Arabóia", "Ararambóia", "Arauembóia", "Boa", "Boa-arboricola-esmeralda", "Jibóia-Verde" e "Periquitambóia".


Bem, acho que deu para aprender um pouquinho mais sobre essa espécie.
Se alguém souber algo interessante sobre elas que não foi dito, é só me falar que eu posto aqui também.



5 de abr de 2008

Soro antiofídico (como é feito)

Hoje eu estava pensando no que postar aqui no blog, e tive algumas idéias, mas essa me chamou a atenção e decidi colocar aqui o processo para a obtenção do soro antiofídico.

Primeiramente, o veneno de uma serpente peçonhenta é retirado por meio da extração manual.
Após essa etapa o veneno passa por um processo de extração total da água, que é chamado liofilização e é armazenado em um freezer. Depois o soro recebe uma solução fisiológica para se tornar liquido novamente. Antes desse liquido ser aplicado no cavalo para que o cavalo produza os anticorpos (o soro), ele é diluído ainda mais, para se tornar menos potente. O cavalo receberá em intervalo de dias, várias aplicações deste veneno, sendo que a cada aplicação o veneno será menos diluído, ou seja, mais concentrado, mas nunca contendo 100% do veneno (o que faria mal para o animal).
Depois de umas seis semanas o cavalo é sangrado. Retira-se de seis a oito litros de sangue (uma quantidade que não colocará em risco a vida do animal). Porém não é o sangue que precisa, e sim os anticorpos. Então através de um processo chamado centrifugação, é separado o sangue dos anticorpos (os chamados antígenos), que serão aplicados no paciente que foi picado.

Uma coisa que deve ser lembrada é que no soro também terá substancias estranhas ao corpo do paciente, fazendo com que o paciente crie anticorpos contra o próprio soro.
Os efeitos colaterais podem ser desde uma urticária ou insuficiência renal, até o choque anafilático, que pode levar a morte. Por isso deve ser feito um teste alérgico antes da aplicação do soro antiofídico.

OBS: Como você já deve ter ouvido a seguinte frase: "o primeiro passo é reconhecer a serpente que te picou ou levar ao hospital viva ou morta".
-Para que isto?
Não existe somente um tipo de soro, ou seja, para cada tipo de serpente, um tipo de soro.
Existem basicamente quatro tipos de soro (que são específicos, em caso de certeza de que animal se trata).
São eles:
Antibotrópico- para acidentes com jararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca, cotiara.
Anticrotálico- para acidentes com cascavel.
Antilaquético- para acidentes com surucucu.
Antielapídico- para acidentes com coral.



Um pouquinho de estatística

No Brasil existem 353 espécies identificadas naturalmente ocorrentes e se reproduzindo aqui.
Ao contrario do que muita gente pensa, a grande minoria delas são peçonhentas. Isso mesmo, apenas 54 dessas 353 são peçonhentas, das quais 27 são cobras-corais(da família elapidae) e 27 são víboras com fosseta(da família viperidae). E as outras 299 espécies não são peçonhentas e oferecem pouco ou nenhum risco aos humanos.



2 de abr de 2008

Venenosa ou peçonhenta?

Se você fosse descrever uma serpente cuja picada é capaz de matar alguém, você a definiria como venenosa ou peçonhenta?
O termo correto seria "peçonhenta".
-Por que?
Vamos levar em consideração que veneno é uma substancia capaz de fazer mal a um ser, independente da via de ação, seja ela: Ingerido, inalado ou injetado.
Ou seja, se pensarmos assim todas as serpentes são venenosas. Um dos fatos é por elas não "escovarem" os dentes, os seus alimentos (que não são muito limpinhos), deixam restos ali em sua boca. Portanto, na mordida dela irá conter inúmeras bactérias que nos farão mal de certa forma.
-E o que é a peçonha?
É um liquido produzido por glândulas e é inoculada na corrente sanguínea, por meio de um aparelho inoculador (pode ser dentes ou ferrões).

OBS: Quando disse sobre não escovarem os dentes, esse é um dos fatos, mais não o principal. Pois mesmo nós seres humanos, escovamos e também temos milhares de bactérias em nossa boca.



1 de abr de 2008

Dentiçao.

É um assunto totalmente básico, porém necessário, principalmente quem quer aprender mais sobre as serpentes, e ter contato com as mesmas.
E como daqui pra frente vamos falar bastante sobre as serpentes em geral, devemos saber de cór essa questão.
Existem quatro tipos de dentição, são eles: áglifa, opsitóglifa, proteróglifa e solenóglifa.
A palavra "glifa" vem de "glyphé", que significa "sulco".

áglifa (a=ausência + glifa=sulco)

É o tipo de dentição de serpentes não-peçonhentas, e significa que a serpente não possui o dente inoculador de veneno. A Jibóia, Corn Snake, Sucuri são exemplos desse tipo de dentição.

opsitóglifa (opisthos = atrás)

São serpentes que apresentam dentes(um ou dois pares) posteriores do maxilar superior diferenciados, com sulco externo por onde escorre o veneno. Pela posição dos dentes inoculadores, as espécies que apresentam esse tipo de dentição são consideradas não peçonhentas, por isso também acidentes com elas são bem raros. Falsas corais são um exemplo de serpente com esse tipo de dentição.

proteróglifa (protero=dianteiro)

Possuem presas anteriores sulcadas, em maxilares imóveis, permitindo assim que elas possam inocular o veneno. A Coral verdadeira e a Naja são exemplos de serpentes proteróglifas.

Solenóglifa (soleno=canal)

Possuem presas anteriores com um canal central por onde passa o veneno, e possui um maxilar bem móvel.